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Queijo Minas Artesanal vira referência e está pronto para conquistar outros estados

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Assistência técnica, pesquisa, certificação e modernização das leis foram oferecidas ao produtor rural pelo Governo do Estado para mudar a realidade do produto no mercado

Como estado líder na produção de leite, com um terço da produção nacional, Minas Gerais tem boa parte do produto destinado à fabricação de derivados diversos, entre eles o Queijo Minas Artesanal (QMA), que agrega valor, conquista prêmios, ganha novo status e mais espaço na gastronomia. Houve também quebra de barreiras para que o queijo mineiro de leite cru pudesse ser comercializado em outros estados.

Para isso, o Governo do Estado vem realizando, nos últimos anos, um trabalho mais focado na melhoria do produto. Esse esforço é liderado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com as suas vinculadas Emater, Epamig e IMA. Existem também trabalhos desenvolvidos pelas universidades, com destaque para a Federal de Minas Gerais (UFMG), Federal de Viçosa (UFV) e Federal de Lavras (Ufla), bem como a Estadual de Montes Claros (Unimontes).

O superintendente de Apoio à Agroindústria da Seapa, Gilson Sales, atribui o sucesso do queijo mineiro à legislação estadual avançada, assistência técnica no campo, pesquisa e certificação, além de outras iniciativas governamentais. "Todo esse processo foi fundamental para valorização do produto dentro do Estado e para abertura de novos mercados. Hoje, são 12 produtores que vendem para outros estados", observa Sales, que aposta em crescimento.

Para que o QMA chegasse a mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e estados do Sul, os produtores aderiram ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi), equivalente ao Serviço de Inspeção Federal (SIF).

A coordenadora técnica estadual da Emate-MG, Maria Edinice Rodrigues, pressupõe que o jeito simples e mineiro de produzir o queijo com leite cru tenha pelo menos 300 anos e é legado dos colonizadores portugueses. A Emater-MG estima que há entre 10 mil e 30 mil propriedades que fabricam queijo em Minas, sendo 270 devidamente inscritos no IMA como produtores do QMA. Destes, 12 têm autorização para vender o produto a outros estados.

REGIÕES - De acordo com a legislação em vigor, é considerado QMA aquele fabricado com o leite cru da mesma propriedade, obedecendo às condições impostas. Atualmente, o reconhecimento legal pelo IMA abrange 85 municípios de sete regiões: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo.

A coordenadora ressalta que a qualidade e o reconhecimento do QMA não chegaram da noite para o dia. Trata-se do resultado de um trabalho contínuo iniciado em 2002, com a Lei 14.185 e a legalização das primeiras queijarias no Estado, em 2004. A partir daí, houve evolução dos queijos artesanais, que ainda eram comercializados apenas em Minas Gerais. Outras leis estaduais foram aprovadas em seguida, a fim de modernizar.

Em 2013, houve novo avanço e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) permitiu que os queijos mineiros feitos com leite cru fossem vendidos em outros estados. Em 14 de junho de 2018, mais um importante passo: foi publicada a Lei 13.680, que altera o comércio de produtos artesanais alimentícios no Brasil, incluindo o queijo. A intenção é desburocratizar e simplificar a fiscalização.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL - Com esses estímulos, em 2015, o queijo Instância Capim Canastra, de São Roque de Minas, conquistou a primeira medalha de prata no Concurso Mondial du Fromage de Tours, cidade às margens dos rios Loire e Cher, na França. A conquista foi amplamente divulgada no Brasil e mexeu com os produtores mineiros. Houve ainda investimentos expressivos na valorização da gastronomia pelo Governo do Estado e, consequentemente, o QMA passou a ser um produto mais demandado.

Em 2017, novos queijos foram levados à França para disputar o concurso, na mesma categoria - Massa prensada não cozida de leite cru de vaca. Ao todo, o concurso atraiu 23 países de todos os continentes. O produto mineiro voltou a brilhar em solo europeu, desta vez com mais intensidade, ampliando para 11 medalhas, trazendo inclusive a Super Ouro para o município de Sacramento, com o Queijo Araxá, da Fazenda Caxambu.

PANORAMA - De acordo com o superintendente de Apoio à Agroindústria, Gilson Sales, Minas Gerais está na vanguarda, por meio da legislação e pelo o que o serviço público estadual oferece ao produtor, por meio da Seapa e suas vinculadas. "Nos últimos quatro anos, algumas ações do Governo mineiro incrementaram ainda mais a produção e a qualidade do queijo", assegura. São elas:

- Convênio com o Mapa, no valor de R$ 1,1 milhão, para investimento na cadeia produtiva;

- Liberação de R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) para pesquisas específicas;

- Plano de ação para aumentar o número de produtos regularizados;

- Eventos de valorização, como o 3º Simpósio de Queijos Artesanais do Brasil, que teve a participação da maioria dos estados brasileiros e especialistas portugueses;

- Cooperação técnica com a Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) para análise do queijo e da água.

Outra iniciativa do Governo do Estado refere-se ao projeto de Lei 4.631, em tramitação na Assembleia Legislativa (ALMG), que contempla todos os queijos artesanais fabricados com leite cru de outros animais, além do bovino. A proposta tem o objetivo de permitir a inovação, desde que haja pesquisas comprovando a segurança alimentar, como a utilização de fungos na produção e maturação em ambiente subterrâneo, resguardando a tradição e impedindo contaminação. "É necessário que trabalhemos para aumentar o número de produtores regularizados. Por isso, temos assistência técnica, orientação, educação sanitária e políticas públicas", salienta Sales.

O Certifica Minas, criado pela Lei 22.926, de 2018, é mais uma ação do Governo do Estado para valorizar a cadeia produtiva. Trata-se de um programa de certificação de produtos agropecuários e agroindustriais, entre eles o QMA. Antes dessa lei, os produtos eram apenas regularizados junto ao IMA. A certificação agrega, aumenta a confiança do consumidor e observa rigorosamente questões sanitárias, ambientais, trabalhistas e sociais, com foco na sustentabilidade.

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